A massiva dança Sevilhana da falta de noção
Por Agente Cogito
Caros leitores, com este pequeno texto que terá um estilo bastante diferente daquele que costumo adotar, quero alertar para terem todo o cuidado nesta época balnear que se avizinha. Tenham atenção às distâncias de segurança entre as toalhas e mais atenção às máscaras. Não se esqueçam de as tirar quando iniciarem a missão bronzeamento, sob pena de correrem o risco de ficarem com uma grande marca não bronzeada na cara. Ninguém gosta de bronzes irregulares.
Se forem de Lisboa, tenham atenção aos fins-de-semana, poderão ser multados se houver uma operação Stop à saída da área metropolitana e tiverem o azar de não ter uma justificação plausível e razoável segundo as suas interpretações. Se algum dos vossos amigos não vos convidar para o casamento dele, ou para o batizado da filha, não levem a mal, ele simplesmente não pode ter mais que aquele número limite de pessoas no seu evento. Quem diria que iria poupar tanto em convites para aquela que é a cerimónia mais importante da sua vida.
Se, em Lisboa, estiverem às 22h32 na rua ou a acabar um fino numa esplanada, tenham atenção e chamem o uber para casa. Finos há muitos, Saúde Pública há só uma, caros amigos.
Não podemos facilitar, estamos a atravessar uma fase ainda delicada da pandemia e o número de casos positivos tem vindo a aumentar. Há quem fale de um geral recuo do desconfinamento. Muita atenção e cuidado.
Mas atenção, como não há regra sem exceção e sendo a exceção a enteada da regra, há algumas situações que se aceita piscar o olho e acabar o fino.
Se tiverem uma camisola da Seleção vestida e um bilhete no bolso (ou não) têm direito a deslocar-se de forma massiva a Sevilha, no próximo domingo. A sério, têm mesmo, aliás, devem fazê-lo e de forma aguerrida. Quem o garantiu foi Eduardo Ferro Rodrigues, Presidente da Assembleia da República Portuguesa, nas suas declarações após o jogo.
Bem sei que estas declarações agora vão ser tratadas com pinças e com muita doçura por parte das altas figuras, como o Presidente da República ou membros do Governo, mas ainda bem que eu posso falar à vontade e sem ter de agradar a ninguém.
A única desculpa que arranjo para as suas declarações está centrada apenas na possibilidade de Eduardo Ferro Rodrigues ainda estar muito emotivo e eufórico no final do jogo, ao estilo de um jovem que pede uma desconhecida em namoro depois de beber uma boa quantidade de finos, até às 22h30, como é óbvio, não vamos ser malandrecos.
Veja-se que noutros países, como na Alemanha, os apelos vão exatamente no sentido contrário, apelam aos adeptos que não se desloquem, que tentem não ir ver o jogo em Londres, por exemplo, mesmo aqueles tenham assegurados todos os pressupostos da Covid.
Mais, Sevilha e o sul de Espanha apresentam um dos piores dados da Península Ibérica, têm dos maiores registos diários de casos positivos da Covid19. E não é que Ferro Rodrigues, a segunda maior figura do nosso Estado, apelou, com um sorriso amistoso, o seguinte: “Espero que os portugueses se desloquem de forma massiva para o sul de Espanha e que possam apoiar uma grande vitória de Portugal nos oitavos de final”.
Olhem, olhem, estes malandrecos a quererem reabrir o comércio, ir para a praia sem máscara, ir visitar a família fora da área metropolitana de Lisboa, a quererem estar num café depois das 22h30 ou 01h00, a quererem acabar o fino na esplanada depois da hora, a quererem ir ao casamento do amigo e a quererem ir fazer um jantar com mais pessoas que o limite…. Ai, ai, ai, o que vem a ser isto!
Bem sei que o vírus é “Chinês” e que a China não está no Europeu, mas há mínimos. Não falo dos mínimos dos carros, isso são luzes. Falo sim dos mínimos das luzes da noção.
Agente Cogito





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